Ontem, vendo uma reportagem na tv, me surgiu uma dúvida: a que classe social pertenço?
Quando menina, me lembro, ou se era rico, pobre ou remediado, sem saber bem, hoje, quem ficava onde. Meu pai tinha carro. Na rua onde morávamos era o único. Mas na mesma rua tinham casas lindíssimas e a nossa era bem simples; então para mim, as meninas que moravam naquelas casas eram remediadas, eu era pobre. Nós estudávamos na melhor escola do bairro (cara até hoje), então para as meninas que eu tinha como ricas, as ricas éramos nós. E vivíamos todas muito bem, brincando juntas, dividindo brigas, brinquedos e biscoitos.
Hoje é uma divisão de A a Z de classes sociais. Pesquisei e não gostei do resultado. Estamos inseridos na classe B2, logo abaixo da B1, que fica abaixo da A1 e A2. Como sou pobre, não de marré-marré-marré de si, não quero nem imaginar como fica quem pertence a classe Z2.
Pois bem, minha indignação vem do fato de jornais e revistas desta semana estarem alardeando que um "bando" de jovens da classe média do Rio de Janeiro foram presos como traficantes de drogas. Que droga! Primeiro, usar e traficar drogas não é, nunca foi e nunca será privilégio de nenhuma casta. Ou jornalistas, especialistas, analistas e mais istas acham mesmo, de verdade, que quem faz a alegria e riqueza dos traficantes é a classe abaixo da D1, 2?
O que os mais ricos tem é a facilidade de não morar no morro ou na favela, onde todo mundo sabe da vida de todos. Então todo mundo conhece o traficante, o mula, o usuário, etc... que não entendo muito dos apelidos desse povo.
No asfalto não. Ninguem presta, ou finge não prestar, atenção a vida do outro. Vizinhos não se falam nem no elevador. Se não tiver criança na casa, então, porque criança interage até com o cachorro do zelador (sem trocadilhos), moram anos no mesmo lugar e só se conhecem de vista.
Aí fica mole, o molequinho fumar um baseado na varanda, o "bodum" se espalhar pelo prédio e todo mundo fingir que não tá sentindo, inclusive os pais do guri.
O zelador encontrar um montão de seringas na lixeira e achar que tem alguem doente no edifício. (Ai dele que ache outra coisa, que será despedido sumariamente).
Pois é, a quantidade de carrões importandos que vejo, da janela do meu prédio, entrando na favela, principalmente às sextas feiras a noite é impressionante. Como sou tolinha, ingênua e antiga, acho que vão lá para comprar cerveja.
Fico pensando porque é que a polícia nunca está lá nestas horas? Porque se estiver não vai acontecer nadica de nada. São todos filhotes de pais "sabe com quem está falando"?, que caso algum pm desavidado e desantenado pergunte alguma coisa, o advogado caro e bem conceituado, já estará na delegacia, de plantão, para livrar o pobre menino, tranquilo, estudante universitário do flagra.
Aliás, fica a pergunta: Como a polícia conseguiu a prisão destes meninos e meninas? Ficarão presos? Se ficarem, por quanto tempo? Quantos policiais envolvidos na sindicância e prisão, serão transferidos lá prás bandas dos confins, antes do processo contra estes menino(a)s ao menos começar?
E os atores e atrizes, artistas em geral, que a maioria é usuária? (hoje é até moda darem declarações tipo: "parei com as drogas"), compra de quem? Onde? Na favela é que não é, com certeza e sem medo de errar.
Mais uma vez, a vovó pede: prestem atenção nos seus filhotes, dêem exemplos, conversem, procurem saber, cutuquem, bisbilhotem. Pode ser antigo prá caramba, mas educar bem dá um trabalho danado, mas compensa!
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