outubro 25, 2007

Brasília

Eu cheguei de Brasília e ainda tô sob o efeito daquela cidade horrorosa (aliás, aquilo é cidade?). È do tamanho dos menores bairros daqui do Rio, que já é pequeno. Dá uma acelerada na Esplanada dos Ministérios (acelerada é viagem minha, pq a velocidade máxima lá é 80km, daí qdo vc chega nos 80, já tem a maldita plaquinha de 60!), aí já está no Octogonal, Sudoeste, Candangolândia ou sei mais lá o que.

Onde o JK tava com a cabeça, meu Deus, tava fugindo de que? De quem? Tá legal que querer desenvolver o centro oeste, mas precisava levar a capital prá lá? No meio de absolutamente nada ou coisa alguma.

E o clima? Tive que tomar muuuiiiita lourinha pra melhorar o efeito da seca. Gastei mil ml de soro pra nariz, olhos e outros etcs e tais, que nem todo orifício dá prá molhar com cerveja.

E dizer que Lucio Costa é um gênio? É um louco! Como se aprende a andar num lugar que não tem esquina, não tem rua, só tem tesourinha. Quando desenhou aquilo, ele devia estar sob o efeito das mesmas cervas que eu, aí desenhou uma coisa zonza. Me senti uma costureira: tesourinha prá cá, tesourinha prá lá. E os "véio" de lá entram nas tais das tesouras com tudo...nada de entrar pelo cantinho, acostamento ou sei lá que nome se dá a isto lá... os caras, ops, desculpem, os véio entram é pelo meio da pista mesmo.

Dizem que o trânsito lá melhorou muito nos últimos quinze anos. Fica cá uma dúvida, há quinze anos atrás tinha trânsito lá?

Não se usa buzina em Brasília, se usa cantada de pneu, freada brusca, aquela encostadinha básica de parachoque e palavrão, claro, que vc, pobre coitado, não ouve, já que se você está de qualquer coisa menos que Mercedes ou Mitsubishi - lá tá de bicicleta. Aliás, numa ida ao Setor de Mansões, quase encostei meu pobre calhambeque e fiquei no meio fio sentada abestada, olhando um sem fim de desfile de carros que nem em revista de concessionária eu vi.

Aí mesmo é que fiquei uma arinhanha. Eles desfilando com aquelas máquinas (carro é outra coisa, conhecida nossa)....Com o meu, o seu, o nosso dinheiro. Minha filha falou que eram carros do Senado (a pobrezinha mora lá). Piorou minha putice... prá que senador que trabalha três dias por semana...trabalha não, vai lá, qdo não está em "visita às bases" ..e que bases... vejam na Playboy...precisa andar montado daquele jeito? Que que ele fez para conseguir? Estudou...não. Fez concurso público...não. Nasceu rico? ...não. Fui eu (aliás me incluam fora desta que eu vou lá, mas não voto há muitos anos). Então foram vocês, bando de pobretões!

E o povo de lá? Tudo egresso do Nordeste, Goiânia, Minas e Rio, claro, coitadinhos, mal chegam já tâo pensando na transferência de volta.


Quequiéaquilo? Ninguém dá bom dia (será que eles não sabem pra que serve?). Ninguem pede nada por favor. Obrigada aí já é viagem minha. Tu não conhece a pessoa e ela, na carona, sem cumprimentar, manda um...Pega isto aí prá mim. Eu claro, cariobaiana, fiquei olhando prá cara da sujeita com ar de pastel sem recheio e...não pequei e ela ainda ficou brava comigo.

Pior é que tenho que voltar lá sempre. Mas juro que vou aprender a andar naquele lugar sem precisar sair pra fazer caminhada com bússola.

Bjs

VAMOS PARAR DE FRESCURA?

Meninas, não é que hoje alguem me chamou de afrobrasileira? Foi assim, num papo sobre tintura de cabelo, no salão, claro, que perua que é perua vai ao salão, no mínimo uma vez por semana. Fiquei indignada com esta frescura.

Fiz um discurso de ano e meio, que afro o que? Que frescura é esta minha nêga (e olha q a bichinha em questão era lourinha - oxinenada, claro), mas minha nêga prá mim, vale quando tou puta com o assunto, seja branco omo ou preto retinto.

Agora preto é afroalguma coisa
aborrecente é adolescente
Velho é idoso
Favela é comunidade
Pobre que trabalha é classe média
calhambeque é carro popular

E por aí vai... Me chamar de afrobrasileira sem conhecer meus antepassados é o cúmulo da frescura! Meu avô paterno era galego, minha avó índia (caçado no laço por êle), conforme consta dos autos da família. Meus bisavós maternos, também galegos, minha avó era negra. Então só valeu o negro aí nesta afroseiláoque? Prefiro ser chamada de negra, mulata (até pq nada tenho contra as mulas), neguinha, moreninha, bombom, crioula (aliás agora tô criloura), Mas afrobrasileira é o cacete!

Beijos neguinhos, branquinhos etc e etc