“Classe média, eu?” A idéia surpreende Josineide Mendes Tavares, uma manicure de 34 anos, moradora da Rocinha, a favela mais conhecida do Rio de Janeiro. Sua freguesia, formada por mulheres da zona sul, que Josineide atende em domicílio, proporciona uma renda de R$ 1.500 a R$ 2 mil por mês. Ela e os dois filhos pequenos vivem numa casinha de 35 metros quadrados. Lá dentro, ela tem uma televisão de tela plana de 29 polegadas, nova, equipada com serviço de TV por assinatura e DVD. Fãs de Cartoon Network e Discovery Kids, as crianças assistem à televisão sentada nas cadeiras de uma pequena mesa de jantar, porque na sala apertada não cabe um sofá. O fogão de quatro bocas é antigo, mas o freezer e a geladeira, Josineide acaba de comprar. Na laje, um extenso varal com roupas da moda e uma lavadora de última geração. “Compro tudo em parcelas a perder de vista”, diz ela. Ainda faltam um computador e um videogame. Ah!, sim. Josineide quer mais um celular. Ela já tem dois, mas diz precisar do terceiro para estar sempre à disposição da clientela.
Josineide e os filhos formam uma família típica da nova classe média brasileira, segundo uma pesquisa divulgada na semana passada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) – (Fonte: Revista Època)
Tô me procurando nesta lista. Josineide mora na zona sul, eu moro no subúrbio. A casa dela tem 35m quadrados, a minha tem 95! O fogão dela é antigo – duvido mais que o meu. A Josineide tem freezer! Eu não preciso, acho que gasta muita luz e não tenho como enchê-lo. Minha lavadora é antiguinha e minhas roupas não são “da moda”. Um celular me basta. Ah! Temos um computador de última geração e um carro popular novinho.
Meu marido e eu, aposentados, nos “viramos nos 30” para dar conta das contas e ganhamos, juntos, bem mais que a Josineide. Como ela consegue? Será que ela paga IPTU, água, luz e condomínio? Tá certo, o IPVA é um luxo. Mas não somos todos – a família dela e a nossa – classe média?
Algumas pesquisas feitas por mim informam que pode ser considerado classe B, ou seja, classe média alta, quem tem mais de 3 aparelhos de TV, freezer, dois banheiros, dois carros, curso superior, etc e tal.
Quantos brasileiros com curso superior estão trabalhando como caixa de supermercado por terem feito faculdades de péssima qualidade e recebendo pouco mais de 1 salário mínimo ao final do mês?
Quantos “emergidos” (conheço alguns), estão enrolados com as parcelas dos carros para poderem parecer o que não são?
Passando por esta análise rasteira dos economistas, fica evidente que em nosso país de pobres, quem tem um olho apenas já é rei!