março 06, 2014

EU SOU MALALA????

Li o livro de uma tacada só. Leitura fácil (exceto as muitas referências no idioma local de Malala).
Uma luta inglória a sua, querida menina forte!

Logo depois do início, interessou-me mais a luta que a própria lutadora.

Você não sabe, Malala, mas no hemisfério sul (milhares de kms distantes de sua terra), independente de facções religiosas, que não as temos, existe um país relativamente jovem, tão ou mais belo que o seu, democrático, aberto a todas as raças e credos, mas... onde a educação de qualidade, para meninas e, pasme, Malala, meninos também, é uma exceção.^

Você sabia, Malala, que neste país que eu falo, a corrupção também é tão forte, que retiram dinheiro da educação para qualquer outro fim? Que menino(a)s saem do primário, aqui chamado 1º ciclo, sem ao menos saber ler?

Você acredita que aqui os governantes deixam fechar uma das mais representativas universidades, sem nada fazer?

Neste país que te falo, querida menina, tratando-se de educação, é necessário que a família tenha muito dinheiro para que seus filhos possam estudar e ter um futuro minimamente decente, fazendo que sejam sempre os mesmos a estarem no mesmo patamar social?

Espero, minha menina, que ninguém te conte que no meu país - é Malala, é o pais que vivo e amo, as Malalas, quando conseguem ser ouvidas são logo cooptadas por partidos políticos com a promessa que lá terão voz mais ativas, simplesmente para calá-las.

Neste lugar, querida, não temos facções religiosas, só criminosas - em todos os níveis, que também matam famílias inteiras por motivos absolutamente torpes.

Mas... é um país livre, Malala, livre de auto-estima, de respeito, de confiança.

Ah! O nome do país, você que é uma menina estudiosa, talvez já tenha ouvido falar. É Brasil!

fevereiro 25, 2014

Brasil & Rússia - irmãos gêmeos?

Em qual dos livros comecei a interessar-me pela história da Rússia? Não sei dizer. Pela história do Brasil, desde a alfabetização. Não queria matemática, muito menos geografia, queria histórias já vividas.

E agora percebo similaridades nestes gigantes tão diferentes em suas altitudes, longitudes, cores, sabores, climas, etc...

Países colonizados com um sem número de etnias, cores, credos, mas com interesses totalmente comuns, onde o populacho (todos não aristocratas), era tido como mero provedor de suas abastanças, festanças e esbórnias, onde se morria de fome (aqui) e de frio e fome (acolá). Talvez, quem souber me conte, por ter os dois gigantes colonizados pelo mesmo ramo familiar? Primos dos primos, primos dos tios e por aí...

A esperança do povo russo foi a queda dos czares e a tomada do poder pelos bolcheviques, prometendo que não lhes faltaria o pão. Faltou.

Cá nos trópicos, depois de anos de reinados, principados, ditaduras civil e militar, nossa esperança era de progresso e ordem, pão e escola. Falta.

Em ambos os países temos os maiores indíces de corrupção do mundo (políticos russo e brasileiros e brasileiros irmanados na mesma roubalheira).

Começo a achar que somos gêmeos em nossa desdita.

Bibliografia: Os 3 imperadores - Miranda Carter
Inverno no Mundo - Ken  Follet
Guerra e Paz - Lev Tolstoi
As Barbas do Imperador - Lilian Moritz
1808 - Laurentino Gomes
Catarina, a grande - Robert Massie
Náufragos, traficantes e degradados - Eduardo Bueno
1968 - O ano que não terminou
Boa Ventura - Lucas Figueiredo
Agosto - Rubem Fonseca
Queda de Gigantes - Ken Follet
Inferno, o mundo em guerra - Max Hastings