julho 10, 2012

Vovó sec XXI

Olá meus queridos dois leitores, não vou falar de bad trip, graças a Deus que me deu dinheiro para acessar bons médicos e caros remédios, ela está indo embora. UFA! Vamos conversar sobre as avós do séc XXI, ou melhor, sobre os filhos destas avós. Já adultos e que resolveram que a mamãezinha querida está jovem, alegre, saltitante e, portanto, pode cuidar dos netinhos. Poder, pode, isto fica a critério de cada uma avó, mas.... NÃO DEVE!

Minha mãe, lá nos meados do séc passado pagava empregadas para cuidar dos seus filhos, inclusive eu, claro.  Eu, pagava mais ainda, porque empregada começou a ser artigo de mil exigências: se cuidava das crianças, não cuidava da casa. E aí, quase metade do salário ia para as atendentes domésticas, porque eu fiz questão de bancar os melhores colégios para meus filhos, não podia me dar ao luxo de ser dona de casa.  Sobrava pouco para amenidades, mas valeu a pena.  Minha mãe querida nunca, jamais trocou uma fralda de filho meu. Era avó que eu pretendia ser, dar cheirinho, levar bolinho, presentinho e by by que tenho mais o que fazer da minha vida, ela dizia.

Pois bem, hoje, grande maioria das mulheres se formaram às custas do trabalho das mães. Dos pais também, mas a força tarefa de uma casa sempre é feminina. A avó está jovem e aposentada e o que lhe sobra? Bingo! Cuidar de netos!

O que é isto? Estamos jovens, mas o tempo que nos resta já não é o mesmo de antes, então queremos viajar, namorar, dançar, encontrar amigas, ir à praia. É mais que um direito, é uma obrigação, se não quisermos estar com 90 anos aos 60.

A coisa está ficando tão enraizada que três amigas minhas optaram por mudar-se para bem longe dos filhos para poder - vejam só, viver suas vidas e não a das filhas e netos.

Acontece comigo também, mas deixo bem claro que é - tem que ser passageiro, caso contrário, por mais que ame filha e, principalmente, neto, vou-me embora pra Pasárgada. Lá sou amiga do rei e o rei não tem netinhos para eu cuidar.

E não estou só falando da classe média não. As mulheres mais pobres adooooram se encher de filhos e depois, claro, tem que sustentá-los. Quem é que fica com a "netaiada" para cuidar? A avó que também deu um duro desgraçado para sustentar os seus.

Para a classe média existem bons colégios de período integral. São caros? Mais baratos que os sapatos que as filhas compram.  Para os pobres existem creches públicas - é díficil encontrar vaga? É, mas conheço, também, um bocado de mães que consegue.

Em suma: Avó é a mãe dos filhos e não dos netos!

junho 20, 2012

Tristezaaa, por favor vá embora....

Uma vez, uns 23 anos atrás, tive um "case" de stress, estafa, sei lá que coisa era. Nem os médicos diagnosticaram com convicção.  Só sei que chorava muito, tive alopecia, etc.  Me recomendaram afastar-me do trabalho e da família. Eu o fiz sem dó nem piedade e minha filha mais velha tinha apenas 6 anos.  Mas, como era para o bem de todos e felicidade geral, lá fui eu me esconder no interior de Minas Gerais.  Passei uns bons 15 dias por lá.  Foi onde conheci amigos queridos que mantenho até hoje.

Hoje os recursos são outros: psiquiatras, homeopatas,psicólogos, uma dezena de remédios, fortunas em dinheiro e a desgraçada da tristeza se esconde por entre os fios dos meus neurônios e cerebelos, mas, está ali, a espreita, esperando um qualquer não sei o que, para tomar o resto do meu corpo, do meu sono, do meu tempo e da minha vida.

Eu, sempre alto astral, amante da alegria e do bom humor, amiga do sarcasmo e da ironia, agora me vejo presa nesta dor imensa, que passa da alma e penetra no corpo, com dores e males diversos - Depressão bipolar, diagnosticou um médico. Doença da alma, disse o outro. Super Id em ação, prognosticou a psicóloga.


Super Id* em ação é o cacete! Então eu obedeci ao ego** por toda minha vida e, quando não o fiz, paguei um preço altíssimo por isto e agora preciso trabalhar meu inconsciente para dar espaço ao Superego***. Faça-me o favor. Prefiro as pílulas!

E continuo balançando, já estou na parte do filme que não choro mais o dia inteiro, mas sei que estou somente na metade.  O aperto saiu do coração, deixou a garganta, mas hoje me surpreendi caminhando pela rua e olhando o tempo todo para o chão. As lágrimas ainda estão penduradas nos olhos.

Nada nem lugar algum tem graça. Nada me faz dar aquelas gargalhadas escandalosas, de quem está feliz, verdadeiramente alegre.

Onde foi e porque foi que me perdi? Dizem que por ter sido sempre muito forte, derrubei-me. Será? Então era um arremedo de fortaleza, um engano, uma mentira.

Eu não quero ser forte, EU QUERO MINHA ALEGRIA DE VIVER DE VOLTA!

maio 01, 2012

O GRANDE BOOM DO COMÉRCIO. DIA DAS MÃES!

E vai chegando o famoso DIA DAS MÃES. O comércio adoooora. Os comerciantes aguardam esta data com verdadeira ânsia. Os filhos são massacrados pela mídia. De panela às jóias mais caras, todos tem que comprar um presente para suas queridíssimas mamães. Os super mercados BERRAM nos comerciais os preços "baixíssimos" da carne de primeira, da linguicinha para o churrasco, etc.

Nesta época mãe vira o próprio DEUS na terra. Deixa de existir a mãe má, desatenta, agressora,  alienada... Todas as mães são rainhas. Ai que saco! Detesto profundamente este endeusamento do ser mãe. Sinto-me tão "peixe fora d'água nesta época. Sem sê-lo, sinto-me a própria madrasta dos meus queridos filhos. Não sou princesa, longe de ser rainha. Alias, não me considero uma mãe convencional. Eles me sabem reacionária, questionadora, brava, direta, etc.

Nunca, jamais passei a mão sobre a cabeça de qualquer dos filhos quando sabia que estavam errados. Pelo contrário, era "bronca" na certa. Nunca, nunquinha deixei de dormir quando eles saem para as farras. Não acho natural um ser jovem, adulto, responsável sair para se divertir e o outro (no caso, a mãe),  cansada da lida, já não tão jovem, ficar acordada esperando o filhinho(a) chegar. Não rola. Rezo a Deus que os proteja e pum! Caminha e sonhos lindos.

Mãe é quem pariu, quem colocou no mundo e ponto.  Cuidar bem cuidado, com afeto, amor, carinho, atenção... Se preciso, palmadas, aí é outra história. Então não me endeusem só porque sou mãe. Prefiro os elogios porque os criei bem, dentro da minha visão e possibilidades.

Sou apenas uma mulher cheia das imperfeições, mais erros que acertos, tentando acertar mais que errar. Que trabalha, estuda, tem marido, casa, amigos e mil outros interesses. Só sou mãe 24 horas por dia por conta da biologia, mas não me preocupo nem penso nos filhos todo este tempo.

Se eu os amo? Claro! Vieram porque os quis. Rezo a Deus todos os dias para que sejam felizes e realizados porque assim também eu serei.

Mas, sinceramente, não os amo incondicionalmente não, meu amor incondicional vai somente para DEUS.

Porque meus filhos, como seres humanos que são, e não são diferentes só por serem meus, tem suas chatices, ranzinzices, mentiras, etc, etc. E eu os entendo não porque sou a mãe, mas porque também sou humana.

abril 04, 2012

O que será que será?

De uns tempos para cá, depois que reaprendeu a chorar, volta e meia as lágrimas tentam saltar dos olhos por qualquer motivo.

Faz tratamento médico, é acompanhada por psicólogo e a vontade não cessa.

Não parou de viver não. Sai, vai a festas, encontra os amigos, retomou os estudos, mas anda feito a música do Chico, qualquer desatenção È a gota d´água.

Acha que está presa numa vida que não é a sua - que ilusão! É sim. Foi construída por anos, passo a passo, tijolo por tijolo, pedaço por pedaço. 

E o que falta? Talvez nada, quem sabe, tudo. Talvez, até sejam as sobras que não são suas.Sente-se engessada num movimento que não lhe pertence. Angústia do não saber.

Estancou seus sonhos - adiou suas esperanças. Vivendo na corda bamba de sombrinha, sabendo que a cada passo da linha VAI se machucar.

E os dias passam e o futuro não chega, atrapalhando o presente.

Sentimento de querer fugir para um lugar onde só haja boa música, boas notícias, pessoas queridas e amadas, beleza de viver.

De querer somente a certeza  dos amigos do peito e nada mais
Onde  possa ficar no tamanho da paz e tenha somente a certeza  dos limites do corpo e nada mais
Mas agora falta-lhe coragem, ânimo para dar outra reviravolta na sua vida.



março 28, 2012

INSENSATEZ

A insensatez que você fez. Coração mais sem cuidado...” (Vinícius de Moraes)

Pois é, depois da caricata Cristiane Torloni na novela passada, que suas maldades mais pareciam as do Cebolinha com a Mônica (nada dava certo), comecei a assistir  a nova novela. Começo a ver televisão tarde, na hora que iniciam os jornais da noite, o que acaba sendo um gancho para a novela. 

 Pois bem, fiquei aterrorizada, indignada e assustada com a virulência das cenas com crianças. Filme de terror perde. Porque aquilo na tv está muito próximo da nossa realidade.  Precisava ser tão real? Eu sei, entendo que é ficção, sei também que o tal lixão é cenográfico. Tudo certo? Uma ova! E os empurrões? Safanões? São de mentirinha? Será?

 Fui postar no Facebook minha indignação, reclamei com o Min. Público, com a emissora, com o autor e compartilhei com amigos. Pasmem! Recebi um post que alguém dizia “... Mas essa e Vida de metade das criancas no Brasil.....proprios pais levam pra pedir esmolas.....maes que trancam filhos sozinhos e vai para is bares.....e triste, mas e a realidade nua e crua para o horario nobre......nao podemos fazer nd contra isso......maldade com criancas tem no mundo inteiro....

 Eu sei droga! Por isto mesmo minha reclamação. EU POSSO FAZER ALGUMA COISA CONTRA ISTO SIM! Não dando esmolas a crianças, denunciando quando vejo algum adulto agredir crianças indefesas. Fiz, faço e sempre farei.

Deixar para lá é mais confortável, mas eu não procuro este tipo de conforto, eu procuro cidadania, por isto reclamei.

A mídia tem um imenso poder de mudar comportamento, mentalidade, pensamentos e público não precisa aceitar passivamente o que assiste. E é nesta passividade que viramos todos “vacas de presépio”. E EU NÃO SOU.

 Pode ser que o autor não mude uma vírgula, pode ser que se toque com a diminuição da audiência, pode ser... Como pode ser que amanhã alguém ache normal levar criança pro lixão, já que lá se ganha dinheiro com facilidade.

Mas eu fiz a minha parte! Não fazê-lo seria insensatez de minha parte.

março 25, 2012

SER INTEIRO

Para ser grande, sê inteiro: nada teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. (Fernando Pessoa)

NÃO GOSTO de gente boazinha. NÃO GOSTO de gente simpatiquinha. NÃO GOSTO de gente de sorrisinhos. NÃO GOSTO de gente que se diz tímida. NÃO GOSTO de gente que “engole sapos” calada. NÃO GOSTO de gente inhas....

 GOSTO DE PESSOAS INTEIRAS.

 De Gente Boa, Simpática, generosa, que gargalha, chora, que reclama quando não está confortável. Que se assume como o que é para o bem e para o mal.

 Não é fácil, mas também, quando você assume sua posição diante dos outros e da vida, sem medo de ser feliz, não é difícil.

Não confio em pessoas cheias de pruridos e medos do tal “o que vão dizer de mim”. Que digam, ora bolas.  Deixe que digam, que pensem, que falem...

 A mim, certos tímidos beiram a antipatia. Está desconfortável com a situação? Sai, pede licença e vá embora, mas não perturbe a festa com seu silêncio e meios risinhos, porque você estará pensando, analisando, questionando e ninguém sabe o que se passa na sua cabeça. Que coisa chata!

 Já recebi convidado em casa, dia de festa, que chegou, cumprimentou, sentou-se, comeu e bebeu, deu tchau e foi embora.  Ora o cara não gostou da festa. Por que ficou? Atrapalhando o tráfego da comunicação entre os convidados!

 Portanto, de mim só esperem “papo reto”, bondade, generosidade, reclamações, provocações, gargalhadas, choros, mas tudo absolutamente às claras.

março 14, 2012

VIDA LOUCA VIDAAAA!

Dia maravilhoso. O calor arrefecera na cidade. (Quando se diz "arrefeceu" é porque a cidade andava o microcosmo do inferno naquele verão).

Ela acordou feliz, alegre;  em toda sua plenitude, tomada de amor, sentindo-se, sabe-se lá porque, linda!
Disposta a abraçar todas as alegrias da vida naquele dia, agradecida a Deus, pois aquela sensação há muito tempo não era sentida.

Cuidou do almoço ouvindo música.  Arrumou-se com esmero para o trabalho; escolheu sapatos e roupas com o maior carinho.  Queria ser admirada.  Olhou-se no espelho e amou o que viu.

Sentia-se tão leve e livre que, propositadamente demorou mais tempo no trabalho.
Dirigiu até em casa devagar, curtindo o som do rock nas alturas no rádio do carro e dançando ao volante.  Nem estressou com o trânsito, normalmente enlouquecedor.  Estava muito de bem com a vida!

Ainda muito feliz, chegou em casa, beijou o marido e, pretendendo terminar o dia melhor que começara, o chamou para dançar.  Enfeitou-se mais ainda. Escolheu jóias, melhorou a maquiagem - estas coisas de mulher que quer ficar bonita para si e para o mundo.

Saíram, jantaram ... Ela acompanhou a banda cantando junto todas as músicas que tocaram.

Nunca fizera questão, mas a lua cheia naquela noite esta diferente.  Então, pediu ao garçon que fotografasse o casal.  Marido fez bico, não estava entendendo tanta felicidade, mas aceitou.

No curtíssimo caminho de volta para casa - Ela estava "possuída" de uma energia estranha, como se estivesse drogada de felicidade.  A lua, o mar, o frescor da noite; colocou uma música bem romântica para tocar e....

Terminou a noite banhada em lágrimas, num choro convulsivo de tristeza.  Um pranto tão dóido quando a felicidade do início do dia, ou, por isto mesmo, mais doído ainda. Como ele conseguira estragar tudo tão rapidamente? 

LOUCA ESTA VIDA!

março 07, 2012

RECEITA DE UMA MÃE QUE DEIXOU DE SER ÓTIMA P SER SÓ “UMA MÃE”

“Andava meio "Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu,... a gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar, mas eis que chega a roda viva e carrega o destino prá lá..” (Chico Buarque).

 Andava meio “roda viva”.  Sonhava, planejava, combinava consigo mesma, ensaiava, e na hora agá....!    Outros compromissos que não os seus; outras necessidades que não as suas.

Urgências de filhos, marido, amigos, que de urgentes nada tinham. E lá se foram horas, dias e ela ali, parada no meio do caminho esperando sua hora chegar.  Querendo simplesmente agradar. Mas hora de que? Porque esperar? Quem sabe faz a hora não espera acontecer (Geraldo Vandré).

 O que estava acontecendo? Estava envelhecendo sim.  Mas... Ficando burra?  Definitivamente não!

 Colocou debaixo do braço sua personalidade forte, que andava subtraída, seus anseios, seu resto de juventude, sua necessidade de viver sua vida e não a dos outros, apertou o botão do “foda-se” e lá foi ela... TRATAR DA SUA VIDA, já que todos estavam tratando muito bem da deles.

Decidiu parar de tomar os remédios “tarja preta” para conter a ansiedade e a língua afiada; decidiu mandar à merda quem não estivesse satisfeito... Enfim, decidiu que seria mãe atenciosa e dedicada, mas escrava de filhos, nunca mais.

Que seria esposa e mulher e achou de bom tamanho, que empregada doméstica custa muito caro; decidiu não mais calar para não se aborrecer, afinal quem "implode, explode"!

Decidiu voltar a ser ela mesma, ouvir suas músicas na hora que lhe aprouvesse, comprar o que bem entendesse, assumir compromissos só seus, etc, etc. Porque o prazo de ser o que os outros queriam que ela fosse VENCEU, PRESCREVEU, ACABOU.




fevereiro 14, 2012

, MEIO POBRE OU MEIO RICA?

“Classe média, eu?” A idéia surpreende Josineide Mendes Tavares, uma manicure de 34 anos, moradora da Rocinha, a favela mais conhecida do Rio de Janeiro. Sua freguesia, formada por mulheres da zona sul, que Josineide atende em domicílio, proporciona uma renda de R$ 1.500 a R$ 2 mil por mês. Ela e os dois filhos pequenos vivem numa casinha de 35 metros quadrados. Lá dentro, ela tem uma televisão de tela plana de 29 polegadas, nova, equipada com serviço de TV por assinatura e DVD. Fãs de Cartoon Network e Discovery Kids, as crianças assistem à televisão sentada nas cadeiras de uma pequena mesa de jantar, porque na sala apertada não cabe um sofá. O fogão de quatro bocas é antigo, mas o freezer e a geladeira, Josineide acaba de comprar. Na laje, um extenso varal com roupas da moda e uma lavadora de última geração. “Compro tudo em parcelas a perder de vista”, diz ela. Ainda faltam um computador e um videogame. Ah!, sim. Josineide quer mais um celular. Ela já tem dois, mas diz precisar do terceiro para estar sempre à disposição da clientela.

Josineide e os filhos formam uma família típica da nova classe média brasileira, segundo uma pesquisa divulgada na semana passada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) – (Fonte: Revista Època)

Tô me procurando nesta lista.  Josineide mora na zona sul, eu moro no subúrbio.  A casa dela tem 35m quadrados, a minha tem 95!  O fogão dela é antigo – duvido mais que o meu.  A Josineide tem freezer!  Eu não preciso, acho que gasta muita luz e não tenho como enchê-lo.  Minha lavadora é antiguinha e minhas roupas não são “da moda”.  Um celular me basta.  Ah!  Temos um computador de última geração e um carro popular novinho. 

Meu marido e eu, aposentados, nos “viramos nos 30” para dar conta das contas e ganhamos, juntos, bem mais que a Josineide.  Como ela consegue?  Será que ela paga IPTU, água, luz e condomínio?  Tá certo, o IPVA é um luxo.  Mas não somos todos – a família dela e a nossa – classe média?

Algumas pesquisas feitas por mim informam que pode ser considerado classe B, ou seja, classe média alta, quem tem mais de 3 aparelhos de TV, freezer, dois banheiros, dois carros, curso superior, etc e tal.

Quantos brasileiros com curso superior estão trabalhando como caixa de supermercado por terem feito faculdades de péssima qualidade e recebendo pouco mais de 1 salário mínimo ao final do mês?

Quantos “emergidos” (conheço alguns), estão enrolados com as parcelas dos carros para poderem parecer o que não são?

Passando por esta análise rasteira dos economistas, fica evidente que em nosso país de pobres, quem tem um olho apenas já é rei!

fevereiro 10, 2012

ERRO? ACERTO? QUEM SOU EU PARA JULGAR?!



Aula inaugural no Curso de Pós Graduação Latu Sensu Unati Gama Filho. Euzinha no segundo período, pouco mais que uma novata. Mas, como não estou aqui a passeio, intui que o motivo da presença maciça não eram as palestras iniciais do ano letivo, a apresentação do plano de estudos ou quadro de matérias.  Todos (ou quase todos), estavam ansiosos para saber o futuro da Unati e sobre o afastamento da coordenadora do curso, tanto que alunas levaram mensagens previamente escritas sobre este último assunto. 

A vice-reitora iniciou os trabalhos explicando a aquisição da faculdade, as demissões, as causas, etc, etc.

Algumas alunas se inflamaram e foram até deselegantes no intuito de mostrar seu apreço e carinho com a coordenadora demitida.

Gente! Perdoem-me a franqueza, frieza ou distanciamento. Mas aquela não é uma universidade pública - é particular!  E todos, absolutamente todos, inclusive o reitor, são passíveis de demissão.  E na iniciativa privada não há necessidade de grandes explicações para defenestrar ninguém.  É um contrato de trabalho sem prazo determinado, que permite a ambas as partes rescindirem quando melhor entenderem.

Eu mesma, após pesquisar bastante, "esculhambei" o Grupo Galileo que adquiriu a faculdade. Esculhambei por não ser um grupo voltado a educação e, sim, ao lucro simples, já que trata-se de um grupo financeiro. Mas, vamos e venhamos... O que aconteceria com todos aqueles professores (demitidos ou não), quando na hora de sua saída ou quando necessitassem utilizar o FGTS para doença, aquisição de moradia, etc., descobrissem que a UGF não depositava o Fundo de Garantia mais de 10 anos?

Faz parte de qualquer profissional de excelência- não os medíocres, dar o melhor de si pelo seu trabalho.  Afinal, lá passamos a maior parte de nossas vidas, fazemos amigos, criamos vínculos, como também faz parte do empregador recompensar esta dedicação com o cumprimento de sua parte nas obrigações.

Mas, a despeito de tudo dito acima, ninguém tem o direito de demitir o mais reles dos funcionários via telegrama! É invadir a casa, o ambiente familiar sem ser convidado com uma notícia destas.

Porque via telegrama? No mínimo falta de respeito, ética profissional e desprezo por quem ajudou a construir uma história, seja quem for.

O Grupo Galileo não incorporou a "padaria do seu Zé"; adquiriu uma universidade de renome nacional e sabia disto.  Não pode, agora, em nome dos desmandos administrativos/financeiros da UGF tratar seus ex e atuais funcionários como o "feitor" do arrial! Respeite-os.

Quando a querida coordenadora e outros queridíssimos e competentíssimos professores que foram demitidos, espero que encontrem em outra instituição um ambiente de trabalho que os mereçam, onde tenham ambiente para desenvolver seu trabalho com tranquilidade e dedicação e afirmo que levarão nossa gratidão, amizade e lembrança onde estiverem.

Quanto a nós, alunos da Unati, cabe-nos não deixar, nunca,seja com quem e como for... DEIXAR A PETECA CAIR!

janeiro 30, 2012

MULHER FÁLICA

Mulher fálica foi a denominação que recebi da psicóloga que me atende. Na hora levei um susto, fiquei confusa, ressabiada. Mas depois, sabem como é:  vamos pensando, procurando, analisando, pesquisando e cheguei a conclusão que sou sim, mulher fálica. 

Aquela mulher que já nasceu enfiando o nariz onde não é chamada sem medo de errar, e errei muito, mas aprendi mais ainda.

Desde menininha levada não aceitava "nãos" sem "porquês".  Desafiava autoridades paternas, maternas, internas e externas.  Sempre fui contestadora, questionadora e interessada no fundamento das coisas e causas. 

Me casei com quem quis e quando quis, independente de quereres e querelas familiares.  Decidi sozinha os filhos que quis ter, sem deixar nem marido interferir. Sendo o corpo meu, nele mando eu.
Não tendo religião, só criei meus filhos na fé em Deus.

Disputei vagas de emprego como quem disputa uma guerra, com garra!  E sempre trabalhei demasiado para garantir meu prato de comida, meus sapatos caros, meus perfumes importados, meus carros e meus batons, que a homem algum eu dei o direito de opinar sobre o quanto gastava comigo e nem "honra" de pagar as minhas contas.

Nunca tive medo de cabra macho, cobra ou lobisomem.

Sei, gosto e tenho competência para mandar, decidir, refutar, argumentar e direcionar.

Resolvo bem meus problemas sozinha e quando não dá, não tenho escrúpulo algum em pedir ajuda. Afinal quando se pede ajuda, alguma coisa já se tem: o "não", então, o  máximo que pode acontecer e voltar somente com o que fui.

Não gosto de receber ordens desorientadas.  Sou exímia em atendê-las, mas que sejam precisas, claras e exatas.

Não sinto emoções fúteis, só as úteis.

Aprendi a chorar depois de burra velha e não deixo de ser forte por isto. Só deixo escorrer o que a alma não aguenta mais segurar.

Não tenho medo da vida nem da morte. Aceito bem o que Deus me der na hora que Ele quiser.

Então, sou quase um homem? Não!! Eu entendo muito bem as mulheres.  Quer dizer, mais ou menos, porque de mulheres chatas,  alienadas, volúveis e fresquinhas não tenho muito tempo nem disposição. Entendo bem de mulheres guerreiras, lutadoras, donas de suas vidas e de seus destinos. DE MULHERES FÁLICAS!


janeiro 06, 2012

–AQUISIÇÃO / FUSÃO OU CONFUSÃO?

Trabalhei 15 anos numa multinacional do ramo farmacêutico, que durante este tempo passou por 4 fusões/confusões/aquisições. Houve época que me atrapalhava com a razão social da empresa.

O assunto começava sempre sendo cochichado pela “rádio corredor”, às vezes, um ano antes. Não adiantava perguntar aos “graúdões” porque eles negavam sempre. Também eles tinham medo de perder seus empregos!

Quando efetivamente acontecia, era um “Deus-nos-acuda”! Cada funcionário tinha uma historinha para contar, até que a Presidência, através de seus diretores, já tendo sido estabelecido qual das empresas “fusionadas” seria a mandante, fazia uma grande reunião com todos os funcionários para explicar o roteiro que seria seguido dali por diante.

Sempre! Sempre negavam que fosse haver demissões e, se caso houvesse, seria decorrente do ajuste necessário para caber 2 empresas numa só.

Acontece que este processo era lento – numa das fusões levou-se mais de 1 ano até que decidissem o quadro final.

Hoje, imagino que neste período analisavam o critério “meritocracia”, pois era comum haver dois funcionários ou mais com o mesmo cargo e/ou função.

Mesmo com os grandes investimentos feitos em tecnologia e aquisição de novas patentes, (e isto é caaaro!) Os medicamentos não aumentavam de preço para o consumidor final, além dos aumentos de praxe.

Interessante observar que a indústria farmacêutica, e aqui me permito fazer a relação com a UGF (Universidade Gama Filho), também trabalha com um dos pilares básicos para a dignidade de um povo: Saúde & Educação.

Ora, pois! Que fusão bizonha esta feita pelo GRUPO GALILEU com a UGF e a Univercidade que começa a cobrar dos alunos os ônus dos investimentos que ainda serão feitos? Se é que serão e exatamente no início de um novo ano letivo?

Porque a agilidade nas demissões de professores/mestres/doutores, etc, que não sabiam de absolutamente nada em dezembro – final do ano letivo? Apenas o que a “rádio corredor” comentava.

Para uma coisa bem feita, transparente e, mesmo que causasse dores, seria correto que somente no final do ano letivo de 2012 ocorresse o que está ocorrendo agora, com docentes e discentes previamente informados. O que permitiria cada um procurar seu destino como melhor lhe aprouvesse.

Não sou especialista no assunto. Não acho que nenhum negócio que receba pela venda de seus produtos – seja remédio ou educação tenha que abrir mão de seu principal motivo de existência – o lucro.

Mas sei, com a  certeza e por experiência de trabalho duro em fusões, que quem quer bônus, arca também com o ônus.