“Andava meio "Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu,... a gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar, mas eis que chega a roda viva e carrega o destino prá lá..” (Chico Buarque).
Andava meio “roda viva”. Sonhava, planejava, combinava consigo mesma, ensaiava, e na hora agá....! Outros compromissos que não os seus; outras necessidades que não as suas.
O que estava acontecendo? Estava envelhecendo sim. Mas... Ficando burra? Definitivamente não!
Colocou debaixo do braço sua personalidade forte, que andava subtraída, seus anseios, seu resto de juventude, sua necessidade de viver sua vida e não a dos outros, apertou o botão do “foda-se” e lá foi ela... TRATAR DA SUA VIDA, já que todos estavam tratando muito bem da deles.
Urgências de filhos, marido, amigos, que de urgentes nada tinham. E lá se foram horas, dias e ela ali, parada no meio do caminho esperando sua hora chegar. Querendo simplesmente agradar. Mas hora de que? Porque esperar? Quem sabe faz a hora não espera acontecer (Geraldo Vandré).
Decidiu parar de tomar os remédios “tarja preta” para conter a ansiedade e a língua afiada; decidiu mandar à merda quem não estivesse satisfeito... Enfim, decidiu que seria mãe atenciosa e dedicada, mas escrava de filhos, nunca mais.
Que seria esposa e mulher e achou de bom tamanho, que empregada doméstica custa muito caro; decidiu não mais calar para não se aborrecer, afinal quem "implode, explode"!
Decidiu voltar a ser ela mesma, ouvir suas músicas na hora que lhe aprouvesse, comprar o que bem entendesse, assumir compromissos só seus, etc, etc. Porque o prazo de ser o que os outros queriam que ela fosse VENCEU, PRESCREVEU, ACABOU.
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