novembro 16, 2011

O preconceito e o Norueguês

Diz meu amigo Ali Kamel em seu excelente livro "Nós não somos racistas", que no Brasil não existe racismo e, sim, preconceito social.  Lendo o livro aceitei sua visão.  Mas passando final de semana na praia da Ferradura, em Búzios (balneário metido a chic do R. de Janeiro), fiquei em dúvidas sobre esta afirmativa.

Chamou-me atenção a quantidade de pessoas olhando em minha direção.  Ora, sou gordinha, baixinha e sessentona.  Por mais perfeita que estivesse, arrancaria, no máximo, olhares de alguns velhotes sapecas.

Mas não eram apenas os velhotes sapecas e nem eram para mim os olhares.  Que pena, quase acreditei-me linda!

Como toda mulher é curiosa e eu não sou exceção, segui os olhares e entendi o motivo de tantas risadinhas, comentários à meia boca, olhares de soslaio e algo mais.

Sentados atrás de mim um jovem casal da mãos dadas bebericando uns drinks.  Até aí, zero de curiosidade despertariam. 
Ela lindíssima, com porte de modelo internacional; ele com cara de namorado apaixonado.

Mas em sendo em Búzios e não havendo nenhum papparazzi por perto, uma olhadinha só seria suficiente não é mesmo?

Seria.  Se não fosse a linda, negra, negríssima, retinta e o namorado norueguês com cara de dinamarquês de tão branco.

Ela, advogada .  Ele tentando se "segurar" no Brasil através de traduções já que fala muitíssimo bem nosso idioma.

E sabem porque soube disto?  Porque perguntei a eles se poderia fotografar aquele casal tão lindo.

Pra que?!  Foi uma confusão dos diabos.  Eles até aceitaram, mas então a praia toda se acercou.  Se é negra, é linda, tá com um brancão, não está com jeito de "mulher de arrumação", então é modelo ou artista!

Quem são? Me conta! Da onde são?

Como eu não quis pagar "mico", agradeci as fotos e voltei ao meu lugar.

O burburinho continuou de forma tão "gritante" que o casal foi obrigado a se retirar.

Tá certo Ali Kamel.  Se é negra, linda, advogada pode.  Se é negra, linda e pobre, sem estudo - prostituta!

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